sábado, 17 de maio de 2008

Caça ao tesouro

Aproveitando a realização da atividade de Estudos Sociais onde fizemos um pequeno percurso pelo pátio da escola, observando e logo após representando esse caminho através de desenhos e da leitura da atividade realizada pela professora Tatiana, realizei com minha turma a atividade de caça ao tesouro, com o objetivo de montar um itinerário e aprender a situar-se e deslocar-se no espaço.

Primeiro passo:

Pedi que desenhassem no quadro o caminho da sua casa até a escola. Depois explicaram esse caminho usando termos como dobro aqui, viro ali, vou reto, subo a lomba, passo pelo mercado... Perguntei se aqueles caminhos poderiam ser chamados de mapas. Conversei sobre mapas, para que servem, observamos o globo terrestre e percebi que realmente as crianças já possuiam muitos conhecimentos sobre o assunto, pois disseram que mapas servem para a gente não de perder, um aluno disse que já brincava de caça ao tesouro em casa e fazia mapas.

Segundo passo:

Expliquei como seria a brincadeira de caça ao tesouro.Cada grupo escolheu um objeto para ser o tesouro, saiu da sala e escondeu pelo pátio.

Terceiro passo:

Voltaram para sala com a missão de desenhar o mapa do tesouro para que os colegas do outro grupo , através das referências encontrasse o tesouro.

Quarto passo:

Saíram a caça do tesouro e não tiveram grandes dificuldades para encontrar, pois combinamos que deveriam marcar com um x o tesouro no mapa. Um grupo demorou mais para encontrar.

Voltamos para sala e discutimos a atividade, fizemos algumas reflexões e descobrimos que um grupo demorou mais pois as referências não estavam claras.Pediram para repetir a atividade e dessa vez fizeram os mapas observando melhor os pontos de referência.

Essa atividade foi um grande sucesso, gerou uma empolgação tão grande que as crianças corriam para dscobrir o tesouro. Todos participaram ativamente. Pediram para fazer outras vezes.

No dia seguinte eu escondi o "tesouro" na sala da supervisão da escola e dei o mesmo mapa para todos os grupos.

Novamente a mesma empolgação e alegria. Um grupo não demorou muito a encontrar o tesouro, subiram a escada e contaram as portas das salas do andar de cima. Pelo mapa descobriram que estava na 5ª sala e logo chegaram ao tesouro, que foi dividido com os outros grupos.

Após a atividade fiz alguns questionamentos orais:

*O que fica entre a sala onde estava o tesouro e a nossa sala?

*O tesouro estava antes ou depois do refeitório?

*O tesouro estava no andar de cima ou debaixo?

*O que vemos antes da pracinha?

*No caminho passamos pelos banheiros, eles ficam antes ou depois da nossa sala?

*O que tem entre a nossa sala e o banheiro?

*O tesouro estava mais perto da nossa sala ou do refeitório?

*O tesouro estava mais longe da nossa sala ou do refeitório?

Essa atividade desenvolve o pensamento e ajuda a criança a compreender e representar o mundo em que vive, além de aprender a situar-se e deslocar-se no espaço.


sábado, 10 de maio de 2008

O mundo dentro da escola e o mundo fora dela.

Essa semana vou relatar um fato que aconteceu na escola onde trabalho. Estávamos na sala dos professores, hora do recreio, uma colega comentou que achava um absurdo seus alunos (3º ano do ensino de nove anos) não escreverem utilizando letra cursiva. Como essa turma foi a minha no ano passado, eu disse que eles conheciam a letra cursiva, mas não praticaram. Ela continuava dizendo ser um absurdo. Perguntei por que, ela não conseguiu argumentar, apenas disse que eles deveriam escrever e ler a letra cursiva. Perguntei se nas lojas, supermercados, placas, revistas, gibis, jornais havia letra cursiva, ou seja, se no mundo onde a criança vive existe letra cursiva. Ela respondeu que tinha alguns livros com esse tipo de letra e eu disse que ela tinha, mas as crianças não e que nessa fase da alfabetização estão curiosos e despertando para esse novo mundo, se usarmos letra cursiva dificultaria, mas agora que já estão alfabetizadas, ela deveria treinar essa letra e deixar que eles façam sua opção para escrever. O mais importante é transmitir sua mensagem.

Não conseguimos chegar a um entendimento e o recreio acabou.

Achei interessante relatar esse fato, pois falamos tanto em trabalhar de acordo com a realidade onde está inserido nosso aluno, de levar em conta as experiências e os conhecimentos que as crianças trazem do seu cotidiano, mas na prática ainda há professores que fazem uma separação: o mundo da escola e o mundo fora dela.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cada um precisa fazer a sua parte.

Reflexão sobre o filme O Balance.

No inicio do filme havia uma relação equilibrada entre os habitantes daquele universo, pois cada um fazia a sua parte e todos faziam um pouco, ou seja, viviam de forma cooperativa, sabiam que faziam parte do ambiente em que viviam e precisavam dele para sua sobrevivência. Havia uma integração entre os habitantes e todos tinham consciência da necessidade do esforço mútuo para manter o equilíbrio.

Mas a partir do momento em que um habitante deixou de pensar no grupo e na necessidade de um compromisso com a vida de todos os seres vivos e pensou apenas nele próprio, iniciaram os conflitos e cada um começou a agir de forma individual. Essas ações começaram a deixar o universo em desequilíbrio.

O filme mostra que tudo o que há na natureza funciona de maneira equilibrada, cada um fazendo a sua parte. Mas o grande consumo de nossa sociedade, que não respeita o meio ambiente, vem provocando mudanças e agressões ambientais como a poluição do ar que causa o efeito estufa, a poluição da água, contaminada por esgotos, agrotóxicos e excesso de espuma de detergentes, as queimadas, o acúmulo de lixo, os animais ameaçados de extinção, o consumo excessivo de energia, o desperdício de água entre outros. Essas agressões estão colocando o planeta em desequilíbrio e podem comprometer o futuro desse planeta.

Infelizmente há muitas pessoas que acham que os recursos naturais são inesgotáveis e que o homem domina a natureza. Mas no filme observamos que não é assim. É necessário assumir responsabilidades de forma individual e coletiva, procurar superar os conflitos pessoais e tomar decisões de forma coletiva para que se possa manter o planeta em equilíbrio.

No final do filme ficou claro que o homem destrói e ele mesmo sofre as conseqüências desse ato.

Nós, como educadores, temos um papel fundamental na formação de nossas crianças orientando, questionando, levantando hipóteses, discutindo idéias, pesquisando, experimentando e levando a comunidade a entender que precisamos preservar de forma cooperativa para que haja respeito pelo meio ambiente, pela água, pelo ar e por tudo aquilo que é para todos.

“O mundo é capaz de prover a todos o suficiente para as suas necessidades básicas. Mas não é grande o bastante para prover os desejos de uma só mente ambiciosa”.

Gandhi

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Fazendo contas de cabeça

Realizei uma atividade onde os alunos tiveram como desafio responder a questão: Quais as possibilidades de combinar as bolinhas para formar a idade de cada um?

Distribui em uma mesa várias bolinhas com cores diferentes e cada cor tinha um número registrado. Por exemplo: as bolinhas laranjas tinham o número 1, as rosas o número 2, as vermelhas o número 3 e as verdes o número 4.

Cada um deveria pegar quantas bolinhas quisesse para tentar formar suas hipóteses e fazer as combinações até chegar a sua idade. Tinham que encontrar,no mínimo, três possibilidades diferentes.

Durante a realização da atividade as crianças envolveram-se e trabalharam de maneira cooperativa, pois discutiam as possibilidades.

Quando imaginei a atividade, achei que seria fácil, mas na prática não foi tão simples assim. Algumas crianças compreenderam a proposta e rapidamente foram formando as possibilidades. Outras precisaram da minha intervençao com questionamentos que fizessem pensar, então sugeri que fizessem risquinhos em cima das bolinhas e fossem contando. De acordo com o texto Conta de cabeça " Vale marcar com traços,bolinhas ou qualquer outro elemento visual, desde que sejam utilizados para registrar resultados parcias das etapas percorridas mentalmente."

Um aluno de 7 anos utilizou 2, 3, 1 e quando contamos os risquinhos disse que faltava mais 1. Com isso percebi que essa atividade faz pensar, desenvolve o raciocínio e o cálculo mental, pois alguns já iam formando as possibilidades oralmente, antes de pegar as bolinhas.

Apenas um aluno dessa turma não consegue contar seguindo uma ordem e não reconhece os números. Ele disse no final do trabalho: " Aprendi como se faz sete".

Procuro sempre fazer atividades diferenciadas para que as aulas não sejam cansativas e sem significado, mas vejo que muitas dessas atividades não levam ao desenvolvimento do pensamento lógico, pois falta conhecimento teórico, daí a importância das leituras, reflexões, interações com colegas e relações dessa teoria com a prática.

Alguns depoimentos dos alunos ao final da atividade, quando conversamos sobre o trabalho realizado:

*" Tem jeitos diferentes de fazer quantos anos a gente tem."

*"Tem gente com a mesma idade que fez alguma coisa igual e outra diferente."

*"Tem gente que precisa de mais bolinhas e outros de menos bolinhas."

*" Eu aprendi como é o sete."

*"Foi legal fazer esse trabalho."






sexta-feira, 18 de abril de 2008

Revendo a prática

Essa semana pensei muito sobre as operações fundamentais e após as leituras feitas na interdisciplina e relacionando com a prática, fiquei com um grande ponto de interrogação: Por que trabalhamos conceitos isolados, um após o outro e pela ordem soma, subtração, multiplicação e por último a divisão? Por que utilizamos tão pouco o cálculo mental?
Acredito que fomos preparados dessa forma e esperamos a produção de respostas certas, através do cálculo escrito e exato, não incentivando o cálculo mental.
Fiz essa semana atividades sugeridas pela professora e tutoras e confirmei que as crianças já utilizam em seu dia-a-dia as operações de forma espontânea e natural. Então por que esperamos para trabalhar a divisão somente no final da 2ª série?
Acredito que seria importante dedicar, todos os dias, um tempo para essa manipulação com material concreto e desafios que façam a criança pensar. Mas ainda tenho dúvidas sobre o registro desses momentos. Será que devemos fazer todos os registros dessas atividades no caderno?

sábado, 12 de abril de 2008

Planejamento flexível



Essa história em quadrinhos sugerida pela disciplina de Estudos Socias traz a questão do planejamento para uma reflexão.
O planejamento precisa ser flexível e como diz Maria Aparecida Bergamaschi "um planejamento aberto, que carrega em si a possibilidade de um ensino para a formação da cidadania crítica, em que os alunos possam participar de sua aprendizagem e do processo histórico em que estão inseridos."
O aluno deve construir seu conhecimento através da interação com seu contexto.
A escola precisa levar em conta as experiências e os saberes dos alunos.
Obs.: Clicar em cima das imagens para aumentar o tamanho.

sábado, 5 de abril de 2008

Matemática no dia-a-dia


Essa semana aprendi junto com meus alunos trabalhando com gráficos. Foi uma atividade muito estimulante e que envolveu a todos.Confesso que não trabalhava com a construção e a interpretação de gráficos e fiquei motivada com as descobertas que as crianças fazem quando estimuladas a pensar e resolver problemas e não simplesmente armar e efetuar ou resolver as operações.
Também li o texto de Daniela Stevanin Hoffmann que confirma a necessidade de trabalharmos a matemática com a manipulação de variados recursos que coloquem o aluno em interação com diversos conceitos matemáticos. Segundo Piaget " o conhecimento ocorre a partir da ação do sujeito e não a partir de cópias mentais da realidade."Já trabalho com material concreto, mas acho que falta usar a matemática de forma mais contextualizada. Que as crianças possam utilizar em seu cotidiano as relações lógicas que constroem nas experiências vivenciadas na escola, que tenham a oportunidade de manipular objetos, testando através de hipóteses e criando conceitos.
Precisamos mudar a idéia da matemática como reprodução de procedimentos, memorização de regras e acúmulo de informações para a idéia da matemática como ação e perceber que os conhecimentos matemáticos estão presentes no dia-a-dia dos nossos alunos como, por exemplo, guardar os materiais nas caixas certas.